sábado, 26 de maio de 2018

Nas duas pontas do grid

A Red Bull vive um dilema com seus dois pilotos. Por um lado tem um piloto confiável e quando tem um bom carro nas mãos, consegue uma pole indiscutível em Mônaco, como fez Daniel Ricciardo hoje. Por outro lado, tem um piloto com potencial altíssimo e com uma talento exuberante, mas que como Peter Pan, se nega em amadurecer e comete erros como o que Max Verstappen cometeu no terceiro treino livre, uma cópia em carbono que ele tinha feito dois anos atrás na mesma curva. Com isso, ao invés de comemorar uma dobradinha no grid mais determinante do calendário, a Red Bull terá apenas Daniel Ricciardo contra os dois pilotos mais laureados na última década amanhã.

A classificação em Mônaco começou com a dúvida se Verstappen teria condições de participar da classificação, algo que se tornou um sonoro 'não' para o holandês. Max tinha tudo para brigar pela pole com o seu companheiro de equipe, mas um acidente no setor das piscinas no finalzinho do terceiro treino livre acabou com as chances de Verstappen ter um final de semana vencedor. Não se discute o talento de Verstappen, mas o mesmo erro cometido dois anos antes mostra que Max teima em não amadurecer e parece pouco animado para fazer isso. Nenhum piloto é infalível, mas cometer o mesmo erro é imperdoável. E Verstappen repete seus erros faz algum tempo. Falando em pilotos jovens, Lance Stroll vem provando que sua chegada à F1 se deve única e exclusivamente ao dinheiro do papai Lawrence. Numa pista onde o talento sempre se sobressai, Stroll ficou à léguas do seu companheiro de equipe Sirotkin, novato e piloto-pagante como o canadense. Da mesma forma, Leclerc vai provando que é de uma linhagem bem distinta de Stroll, conseguindo levar seu Sauber ao Q2 com facilidade correndo pela primeira vez em casa. 

Entre vexames e realizações, parecia claro desde a quinta-feira que a Red Bull tinha o melhor carro para Mônaco e Ricciardo, um piloto bem mais confiável do que seu companheiro de equipe, jogou esse favoritismo na cara de Ferrari e Mercedes com gosto. Sempre mais rápido em todos os treinos, Ricciardo conseguiu a pole com direito a recorde do circuito, completando a volta na casa de 1:10, quase 10s que a pole de Prost em 1993, por exemplo. A Mercedes chegou a pensar em colocar os pneus ultramacios no Q2, mas os novos pneus hipermacios são tão mais rápidos que a os alemães corriam o sério risco de ficar de fora do Q3, num final de semana muito apagado de Bottas, muito inferior à Hamilton.

No final, Vettel completará a primeira fila atrás de Ricciardo, com Hamilton logo a seguir. Com o seu companheiro de equipe no final do grid, Ricciardo terá que enfrentar sozinho todo o poderio de Ferrari e Mercedes, mas já provou que tem plenas condições para isso. Com Verstappen largando lá atrás, a corrida de amanhã terá emoção garantida. Nem que seja pela entrada do safety-car...  

quinta-feira, 24 de maio de 2018

História: 20 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1998

Os resultados de Mika Hakkinen em Monte Carlo não eram nada animadores até 1998. O finlandês até gostava da pista e largara em boas posições, mas ele simplesmente abandonou todas as corridas que disputou no principado, abrindo esperanças para os rivais para a corrida de vinte anos atrás, principalmente Michael Schumacher, já considerado um especialista no apertado e especial circuito de rua monegasco. Porém, o McLaren MP4/13 era o melhor carro do pelotão com grande vantagem e Hakkinen não apenas vinha de uma vitória dominante em Barcelona, como também marcara o tempo mais rápido nos testes pré-corrida.

Querendo espantar qualquer tipo de zebra, Hakkinen foi o mais rápido nos treinos livres e marcou uma pole atordoante, sendo o único a andar na casa de 1:19. Como não poderia deixar de ser com o domínio da McLaren, Coulthard completou a dobradinha prateada, com o surpreendente Giancarlo Fisichella ficando em terceiro. Vindo de um início de temporada difícil e superado pelo companheiro de equipe Alexander Wurz, Fisico marcou o segundo melhor tempo da segunda sessão de quinta-feira e ficou em terceiro na classificação, logo à frente de Schumacher, que sofria com sua Ferrari. Outra surpresa era o bom desempenho da Arrows, principalmente de Mika Salo, que adorava o circuito de Mônaco para garantir um raro top-10 no grid para a pequena equipe inglesa. Se Salo adorava Mônaco, Villeneuve odiava a pista e o então campeão do mundo era apenas 13º no grid. O brasileiro Ricardo Rosset nunca se encontrou no circuito seletivo de Mônaco e após vários acidentes, incluindo uma em sua última volta rápida onde ele bateu enquanto dava um cavalo-de-pau, Rosset não marcou tempo bom o suficiente para largar no domingo, ficando de fora da largada.

Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:19.798
2) Coulthard (McLaren) - 1:20.137
3) Fisichella (Benetton) - 1:20.368
4) M.Schumacher (Ferrari) - 1:20.702
5) Frentzen (Williams) - 1:20.729
6) Wurz (Benetton) - 1:20.955
7) Irvine (Ferrari) - 1:21.712
8) Salo (Arrows) - 1:22.144
9) Herbert (Sauber) - 1:22.157
10) Trulli (Prost) - 1:22.238

O dia 24 de maio de 1998 amanheceu encoberto na bela paisagem do Mar Mediterrâneo ao lado do principado de Mônaco, mas ao contrário dos dois anos anteriores, não haveria chuva na corrida. Os clientes da Bridgestone, em particular McLaren e Benetton, escolheram os pneus duros, enquanto os pilotos da Goodyear fizeram a escolha pelos pneus macios, com exceção da Frentzen e da dupla da Sauber. Tradicional local de enroscos, a St Devote viu uma largada tranquila, com o duo da McLaren se sobressaindo sobres os demais sem maiores problemas, com Hakkinen à frente de Coulthard, com Fisichella liderando o segundo pelotão, seguido por Schumacher, Wurz, Frentzen, Irvine, Salo, Alesi e Trulli.

O primeiro incidente, logo na volta de abertura, foi com o argentino Esteban Tuero batendo sua Minardi no guard-rail. Incidente comum, principalmente com um piloto estreante como Tuero. Hakkinen rapidamente abriu 3s sobre Coulthard, enquanto Fisichella segurava Schumacher, dando a sensação que o italiano tinha um bom ritmo de classificação, mas nem tanto em corrida. Na décima volta, Irvine tenta uma manobra audaciosa na briga com Frentzen pelo quinto lugar. No hairpin Lowes, o piloto da Ferrari colocou por dentro e o toque foi inevitável. Irvine continuou na corrida, mas Frentzen acabou no muro e era o fim da corrida para o alemão, enquanto a Williams via Villeneuve numa obscura 14º posição. Coulthard aumentou o ritmo e fez a volta mais rápida, mas o escocês seria traído pelo motor Mercedes na volta 18 e David abandonaria pela primeira vez em 1998. Com o abandono do companheiro de equipe, Hakkinen tinha uma vantagem de 19s sobre Fisichella, mas com a chegada em um grupo de retardatários, Mika viu Fisichella surgir apenas 8s atrás. Schumacher vinha próximo de Fisichella e quando os dois se aproximaram do mesmo grupo de retardatários que atrapalhou Hakkinen, o alemão rapidamente foi aos boxes na volta 30. A Benetton demorou apenas uma volta para reagir a tática da Ferrari, mas Fisichella realmente perde muito tempo e quando retorna à pista, estava atrás de Schumacher.

Wurz assumia o segundo lugar 35s atrás de Hakkinen, que aproveitou a boa frente sobre os rivais para fazer sua única parada na volta 36 e ainda retornar na ponta. Wurz ainda estava para fazer seu pit-stop e era fortemente pressionado por Schumacher. Quando o austríaco se preparava para colocar uma volta num grupo de retardatários, Schumacher viu uma brecha e colocou por dentro no hairpin Lowes. Schumacher e Wurz andam algumas curvas lado a lado, se esfregando um no outro e nos muros. Na saída da Portier, Wurz tirou o pé, mas os vários toques não acabam impunes e Schumacher toca no guard-rail no setor das Piscinas e no final da volta o alemão retornou aos boxes. Michael chega a sair do carro, mas é convencido a voltar ao cockpit, enquanto os mecânicos da Ferrari consertavam a suspensão traseira do seu carro. Schumacher retorna à pista duas voltas atrasado, na tentativa de marcar pontos. Algo que ele não conseguiria ao final da corrida...

Wurz finalmente faz sua parada na volta 43 e sua bela briga com Schumacher o fez perder tanto tempo que o austríaco acaba atrás de Irvine, mas o piloto da Benetton nem teria muito tempo para se lamentar. Wurz perdeu o controle do seu carro dentro do túnel e bateu forte, destruindo seu carro e relembrando o acidente do seu compatriota Karl Wendlinger quatro anos antes, mas felizmente Wurz estava ileso. Depois desse acidente, a corrida fica estática, que ainda veria os abandonos de Trulli e Alesi, quando ambos vinham na zona de pontuação. Na primeira vez que via a bandeirada em Mônaco, Mika Häkkinen conquistou sua quarta vitória em seis corridas na temporada 1998 e tinha uma clara vantagem no campeonato. Fisichella completou em um ótimo segundo lugar, bem à frente de Irvine, que salvou as honras da Ferrari. Salo terminou em quarto e marcou os primeiros pontos da Arrows naquele ano, acompanhado por Diniz, que era sexto. Na última volta, o brasileiro quase foi atingido por Schumacher, mas por sorte Diniz não sofreu nenhum toque. Apesar de uma corrida anônima, Villeneuve conseguiu dois pontos em quinto lugar. Com a McLaren dominando, particularmente com Hakkinen, a temporada 1998 parecia fadada ao marasmo de um único piloto vencendo quase todas as corridas com um carro nitidamente superior aos outros. Porém, Schumacher já havia mostrado do que ele capaz com carros inferiores...

Chegada:
1) Hakkinen
2) Fisichella
3) Irvine
4) Salo
5) Villeneuve
6) Diniz  

terça-feira, 22 de maio de 2018

História: 40 anos do Grande Prêmio da Bélgica de 1978

A F1 aportava em Zolder para a sua etapa belga com algumas novidades entre as equipes, como o novo carro da Wolf, mas a maior novidade estava nos boxes da Lotus. O esperado modelo 79 faria sua estreia na Bélgica, numa clara evolução do já revolucionário modelo 78. Após longos estudos no túnel de vento, o Lotus 79 utilizaria ao máximo o efeito-solo, algo que as demais equipes da F1 já estudavam, mas que Colin Chapman e sua equipe de engenheiros elevou ao máximo com o novo carro. O Lotus 79 era de uma fluidez inédita e quando o carro foi apresentado ao paddock da F1, imediatamente ficou claro que Chapman tinha proporcionado uma nova revolução na F1. Porém, apenas o primeiro piloto Mario Andretti teria a novidade em mãos, enquanto Ronnie Peterson teria que se conformar com o Lotus 78.

Se a beleza do carro já impressionara a todos, restava ver o comportamento do novo bólido na pista. E os indicativos de que Chapman havia revolucionado a F1 estavam mesmo certos, para desespero da concorrência. Com extrema facilidade, Andretti marcou a pole com quase 1s de vantagem sobre a Ferrari de Carlos Reutemann, seguido por Lauda, Villeneuve, Scheckter e Hunt, com o campeão de 1976 já levando quase 2s do pole. A evolução de novo modelo da Lotus era tamanha que Peterson ficou a 1.72s do seu companheiro de equipe com o carro antigo da Lotus. 

Grid:
1) Andretti (Lotus) - 1:20.90
2) Reutemann (Ferrari) - 1:21.69
3) Lauda (Brabham) - 1:21.70
4) Villeneuve (Ferrari) - 1:21.77
5) Scheckter (Wolf) - 1:22.12
6) Hunt (McLaren) - 1:22.50
7) Peterson (Lotus) - 1:22.62
8) Patrese (Arrows) - 1:23.25
9) Watson (Brabham) - 1:23.26
10) Jabouille (Renault) - 1:23.58

O dia 21 de maio de 1978 amanheceu nublado em Zolder, mas a pista estaria seca na corrida, para alívio dos pilotos, lembrando a tumultuada corrida do ano anterior, onde a chuva causou várias surpresas e abandonos em Zolder. Vendo o tamanho da diferença da Lotus 79 para os demais, a Ferrari resolveu arriscar e montou pneus Michelin macios no carro de Villeneuve, para observar se o canadense conseguiria andar no ritmo de Andretti. A largada foi muito confusa na prova de 40 anos atrás. Andretti largou sem maiores problemas, mas Reutemann patinou muito e isso causou muita confusão no pelotão intermediário. Scheckter toca em Lauda que sai da pista, enquanto Patrese bate em Hunt, fazendo o inglês rodar e atingir o Brabham de Lauda, provocando o abandono de ambos. Mais atrás Emerson Fittipaldi bateu em Ickx e abandonou imediatamente, enquanto Didier Pironi bateu na traseira de Patrick Depailler, mas para sorte de Ken Tyrrell, a batida foi em baixa velocidade e os dois carros continuaram na prova.

Andretti imediatamente abre uma diferença de 4s sobre Villeneuve, mas o canadense era incapaz de atacar a Lotus, mesmo com pneus mais macios. Scheckter e Peterson brigavam pelo terceiro lugar. Na décima volta finalmente Peterson consegue ultrapassar Scheckter na freada na primeira curva, mas o sueco já estava muito atrasado com relação aos líderes. Com problemas de motor, Scheckter perde várias posições até ir aos boxes para averiguar um problema no seu motor Cosworth. Patrese assumia a quarta posição 7s atrás de Peterson, porém o italiano era acossado pelo ascendente Reutemann, após a má largada do argentino, mas antes que Reutemann atacasse o piloto da Arrows, Patrese entrou nos boxes na volta 31 com a suspensão quebrada e era o fim de mais uma boa corrida do jovem italiano. Após abrir uma boa diferença sobre Villeneuve no começo da prova, Andretti sustentava a mesma vantagem de 4s sobre o canadense, mas quando os retardatários começaram a aparecer, Andretti usou sua maior experiência para ir ganhando terreno em cima de Villeneuve. Porém, a corrida de Villeneuve se complica na volta 40 quando o pneu dianteiro esquerdo da Ferrari sofreu um furo e o canadense teve que ir aos boxes. A aposta da Ferrari nos pneus moles só durou até a metade da corrida. A Ferrari realiza um rápido pit-stop e Gilles retorna à corrida em sexto, entre as Tyrrells de Depailler e Pironi, mas já tendo levado uma volta de Mario Andretti.

Contando com mais de 30s de vantagem sobre o seu companheiro de equipe, Mario Andretti passa a administrar a corrida. O americano deixa Villeneuve passa-lo para o canadense recuperar uma volta e logo depois Gilles ultrapassa Patrick Depailler para ser quinto. Os primeiros colocados ficam espalhados na pista, com o terceiro colocado Reutemann 10s atrás de Peterson e Laffite 9s atrás de Reutemann, em quarto. Nas voltas finais o desgaste dos pneus passa a ser um problema para os pilotos. Peterson entra nos boxes para trocar seus pneus na volta 57 e volta à pista em quarto, colado em Laffite. Com pneus novos, Peterson não tem trabalho em ultrapassar Laffite e parte para cima de Reutemann. Peterson marca a volta mais rápida da corrida e faltando três voltas para o final, o sueco executa a ultrapassagem na chicane para completar a dobradinha da Lotus. Com pneus totalmente desgastados, Reutemann anda teria que enfrentar a pressão de Laffite. Na última volta, Laffite forçou passagem na chicane e foi fechado por Reutemann, fazendo Laffite sair da pista. Reutemann manteve o terceiro lugar, enquanto Villeneuve marcava seus primeiros pontos na F1 com o quarto lugar. Mesmo abandonando, Laffite ainda marcou os pontos com o quinto lugar, enquanto Pironi levou seu Tyrrell ao sexto lugar ao aproveitar os abandonos de Depailler e Bruno Giacomelli mais cedo. A vitória de Mario Andretti provava a inacreditável superioridade do Lotus 79 sobre o resto do pelotão. Embora Gilles Villeneuve fosse capaz de acompanhar o ritmo da Lotus de Andretti em parte da corrida, isso aconteceu apenas graças aos pneus macios do canadense, que acabaram se desgastando no meio da prova. Com um carro revolucionário nas mãos, Mario Andretti não apenas liderava o campeonato como se tornava o grande favorito ao título de 1978.

Chegada:
1) Andretti
2) Peterson
3) Reutemann
4) Villeneuve
5) Laffite
6) Pironi 

domingo, 20 de maio de 2018

Com a mão no título

Ainda na quinta etapa de um campeonato com dezenove eventos pode ser prematuro apontar que um piloto é grande favorito ao título, mas a forma de Marc Márquez, somado aos erros dos seus principais adversários já deixa o espanhol da Honda com a mão na taça, no que seria um incrível quinto título em seis temporadas de MotoGP para Márquez. 

A corrida em Le Mans lembrou um pouco a corrida de F1 em Barcelona em termos de (falta) emoção. A escolha pouco ortodoxa de pneus de Márquez mostrou sua estrela de campeão. Enquanto o resto do grid escolheu pneus macios na traseira por causa do asfalto pouco abrasivo de Le Mans, Márquez optou pelos duros e mesmo não largando muito bem, Marc venceu com o pé nas costas, principalmente às custas dos erros alheios. Saindo da pole position e com o circuito inteiro torcendo por ele, Johan Zarco largou muito mal e estava em sexto na primeira curva, mas demonstrando sua agressividade e a gana de vencer não apenas pela primeira vez, como na frente de sua torcida, Zarco pulou para segundo na freada da chicane, assustando até mesmo Márquez, que caiu várias posições com a manobra brusca do francês. Zarco colou em Lorenzo, novamente fazendo uma largada fabulosa, mas caiu sozinho na curva mais lenta do circuito, deixando sua torcida com as mãos na cabeça ao ver a cena. Mais cedo, Doviziozo vinha com ritmo de quem, no mínimo, brigaria pela vitória e após ultrapassar Lorenzo e assumir a ponta, Dovi saiu de suas características e errou sozinho na temida curva 4, abandonando pela segunda corrida consecutiva.

Márquez, já dono da melhor volta da corrida, viu todas essas quedas de camarote e o único trabalho foi deixar o descendente Lorenzo para trás para vencer com sobras uma corrida definida pelos erros dos favoritos, mas também estava claro que Márquez poderia perfeitamente vencer se Zarco e Doviziozo estivessem correndo no momento da bandeirada. Com seus principais rivais zerados, Márquez já abriu mais de trinta pontos sobre o vice-líder Maverick Viñales, que mais uma vez fez uma corrida esquecível. Danilo Petrucci voltou aos bons termos ao fazer uma bela segunda posição, mas talvez sua irregularidade deixe a Ducati oficial com uma pulga atrás da orelha para contrata-lo. Lorenzo utiliza a tática de largar muito bem, se segurar como pode, mas é nítido como o espanhol ainda não está a vontade na Ducati e na segunda metade da corrida Lorenzo vai perdendo posição após posição, hoje terminando em sexto, logo atrás do seu velho e resistente rival Daniel Pedrosa. Valentino Rossi mostrou o porquê ainda tem contrato com a Yamaha. Longe, muito longe do seu auge, Rossi ainda consegue fazer um algo a mais com o seu equipamento e subiu no pódio em Le Mans, enquanto Maverick Viñales, no que já considero a grande decepção do ano, teve que lutar muito para ser sétimo após andar em décimo segundo em boa parte da corrida.

Com o vice-líder fazendo uma temporada opaca, o atual vice-campeão caindo duas vezes seguida e os demais pilotos da Honda oficial (Pedrosa e Cruthlow) caindo sem parar, ninguém tem dúvidas de que Marc Márquez já é o favoritaço para conquistar o título desse ano.

sábado, 19 de maio de 2018

História: 15 anos do Grande Prêmio da Áustria de 2003

Passado pouco mais de um ano, as memórias de Rubens Barrichello deixando Michael Schumacher ultrapassa-lo na linha de chegada em Zeltweg ainda estavam bem presentes em todos que estavam de alguma forma envolvidos na F1. Aquela atitude desnecessária da Ferrari foi o marco do distanciamento da F1 com os seus torcedores e é algo que a Liberty quer mudar nos dias de hoje. Quinze anos atrás, havia a unanimidade de aquilo não deveria se repetir, apesar de que ordens de equipe sempre estiveram presentes na F1 e que a punição que a Ferrari levou em 2002 esteve mais ligado ao descumprimento dos protocolos do pódio, não à sua polêmica decisão de trocar o vencedor na bandeirada. Em 2003 boa parte dos países que recebiam a F1 iniciavam uma campanha anti-tabagista e a Áustria era uma delas. Mesmo sendo uma etapa popular, a decisão dos governantes austríacos fez com que o país ficasse de fora do calendário da F1 por muitos anos a partir de 2004.

Se tratando de um circuito curto e de poucas curvas, as diferenças eram bem pequenas entre os pilotos e Schumacher ficou com a pole com pouca diferença para Raikkonen, que completava a primeira fila. Montoya colocava a Williams em terceiro, mostrando um certo equilíbrio de forças das três grandes equipes de 2003. Havia a sensação de que a Ferrari não queria que seus dois pilotos não estivessem próximos em nenhum momento do final de semana e após dominar o final de semana do ano anterior, Rubens Barrichello ficou sete décimos atrás de Schumacher com uma estratégia diferente, mas ainda em quinto. Antônio Pizzônia conseguia seu melhor resultado em sua estréia na F1 com um lugar no top-10 e pela primeira vez superava seu companheiro de equipe, numa classificação marcada pela instabilidade climática, mas sem chuva forte. Porém, isso atrapalhou as voltas lançadas de alguns pilotos, como Webber, Alonso e Ralf Schumacher.

Grid:
1) M.Schumacher (Ferrari) - 1:09.150
2) Raikkonen (McLaren) - 1:09.189
3) Montoya (Williams) - 1:09.391
4) Heidfeld (Sauber) - 1:09.725
5) Barrichello (Ferrari) - 1:09.784
6) Trulli (Renault) - 1:09.890
7) Button (BAR) - 1:09.935
8) Pizzônia (Jaguar) - 1:10.045
9) Fisichella (Jordan) - 1:10.105
10) R.Schumacher (Williams) - 1:10.279

O dia 18 de maio de 2003 amanheceu com sol entre nuvens em Zeltweg, pequena cidade que receberia o Grande Prêmio da Áustria pela última vez por muito tempo, porém, havia a previsão de chuva na hora da corrida. A largada foi atrasada duas vezes, ambas causadas por Cristiano da Matta, que sinalizou problemas em seu Toyota e teve que largar em último, enquanto dos boxes sairiam Webber, Alonso e Frentzen, esse, com problemas de embreagem no seu Sauber na segunda tentativa e o alemão foi forçado a correr com o carro reserva, que estava acertado para Heidfeld bem no dia do seu aniversário de 36 anos. Com uma freada forte e em subida na primeira curva, a largada em Zeltweg sempre foi tensa e com acidentes desde a antiga configuração do autódromo, mas em 2003 tudo ocorreu normalmente, com Schumacher mantendo a ponta. Quem largou nas posições ímpares de deu bem e Montoya emergiu na frente de Raikkonen, enquanto Barrichello deixava Heidfeld para trás. No final do pelotão, Verstappen abandona sua Minardi com problemas e com o carro parado em lugar perigoso, o safety-car entrou na pista, com a corrida começando para valer na quarta volta.

Schumacher começou a imprimir um ritmo fortíssimo, abrindo em média 1s por volta em cima de Montoya, enquanto Barrichello pressionava Raikkonen na briga pelo terceiro lugar. Na volta 12 a esperada chuva começa a cair em alguns lugares da pista, porém, a chuva não era forte o suficiente para encharcar a pista, mas causou algumas mudanças. Trulli rodou no piso úmido e Montoya tira muita diferença para Schumacher, mostrando que naquelas condições, os pneus Michelin eram melhores do que os Bridgestone. Ninguém apostou em pneus para pista molhada e com a chuva parando logo depois, a corrida transcorreu normalmente rumo à primeira rodada de paradas. Montoya e Coulthard pararam na volta 21 e na seguinte, Barrichello perde muito tempo em sua parada por causa de um reabastecimento lento. Armação da Ferrari!, gritaram alguns. Uma volta depois, o susto da corrida. Schumacher entrou para a sua parada e se com Rubens a Ferrari se atrapalhou, com o alemão seria ainda pior. Um incêndio começou no bocal de reabastecimento, gerando pânico nos boxes enquanto a Ferrari apagava o fogo com extintores. De forma impressionante, Michael manteve a frieza e quando lhe foi dado o sinal para sair, o alemão voltou à pista como se nada tivesse acontecido. Porém, Schumacher havia perdido muito tempo, não se sabia se foi colocado o combustível planejado e os arautos da teoria da conspiração do 'brasileirinho contra esse mundão todo' se calaram.

Com todo esse drama, Schumacher caiu para terceiro, mas vinha bem mais rápido do que Montoya e Raikkonen, os dois que ponteavam nessa ordem a corrida. Rapidamente o alemão da Ferrari encostou em Kimi e bem no momento em que efetuava a ultrapassagem sobre o piloto da McLaren, o motor BMW da Williams de Montoya quebrou logo a frente. Schumacher subia de terceiro para primeiro em apenas uma ultrapassagem e em poucos metros! Alonso fazia uma bela corrida de recuperação e foi o último a fazer sua parada quando já vinha em quinto, mas o motor Renault quebrou logo depois. Havia a expectativa de como seriam os pit-stops da Ferrari, mas os mecânicos italianos consertaram a mangueira de reabastecimento e a segunda parada de Schumacher e Barrichello aconteceram sem maiores dramas. Ralf Schumacher e Coulthard brigavam pela quinta posição e numa animada briga, o escocês da McLaren assumia o posto, mas vinha longe de Jenson Button, que levava seu BAR a um formidável quarto lugar. Barrichello encostou em Raikkonen, mas ao contrário do seu companheiro de equipe, não achou uma brecha para efetuar a ultrapassagem. As últimas voltas aconteceram sem maiores problemas e Schumacher venceu pela terceira vez na temporada, enquanto Raikkonen colecionava segundos lugares que o deixavam na liderança do campeonato, apenas dois pontos na frente de Michael. Mordido por tudo o que acontecera no ano anterior, Schumacher estava com ainda mais gana naquele dia em Zeltweg e dominou a corrida, vencendo-a passando por cima até mesmo de um incêndio!

Chegada:
1) M.Schumacher
2) Raikkonen
3) Barrichello
4) Button
5) Coulthard
6) R.Schumacher
7) Webber
8) Trulli

terça-feira, 15 de maio de 2018

História: 35 anos do Grande Prêmio de Mônaco de 1983

O Grande Prêmio de Mônaco de 1983 vivia o auge do glamour que o principado trazia à F1. Vários CEO's de grandes empresas estariam presentes à corrida e a ACM nunca havia faturado tanto dinheiro com publicidade. O reabastecimento era o grande barato da temporada de 1983, mas uma ordem ministerial datada de 1955 havia proibido grandes quantidades de combustível armazenada nos boxes nas corridas em Monte Carlo e por isso, excepcionalmente, não haveriam reabastecimentos durante a corrida monegasca de 35 anos atrás. Após a vitória de Patrick Tambay em Ímola com uma Ferrari número 27 que fora de Gilles Villeneuve, o francês se tornou o queridinho da sempre emotiva imprensa italiana, causando um certo ciúme de René Arnoux, que fora trazido da Renault como primeiro piloto da Ferrari, mas não estava fazendo um bom início de temporada. De temperamentos e estilos completamente distintos, Tambay e Arnoux não estavam na melhor das harmonias dentro da Ferrari. 

A classificação foi definida na sexta-feira, pois a chuva do sábado estragou as chances dos pilotos melhorarem seus tempos. Prost conquistou facilmente a pole, colocando quase um segundo e meio em cima do seu companheiro de equipe Cheever, que ficou em terceiro. Entre os dois carros da Renault vinha Arnoux, que acreditava que poderia ter ficado com a pole se não tivesse chovido no sábado. Tambay era quarto, mas um segundo mais lento do que seu companheiro de equipe. Graças ao seu estilo exuberante, Rosberg consegue um bom quinto lugar com o pequeno Williams-Cosworth, alguns centésimos atrás de Tambay. Piquet era sexto num bom trabalho com um Brabham-BMW que se provava ruim em circuitos de rua. A McLaren teve problemas com os pneus Michelin de classificação na sexta-feira e ficaram nas últimas posições. A borracheira francesa trouxe pneus novos exclusivos para a McLaren no dia seguinte, mas a chuva fez com que a McLaren, que fizera uma corrida incrível em Long Beach, ficasse de fora do GP de Mônaco, com Niki Lauda não se classificando para uma corrida de F1 pela primeira vez na carreira.

Grid:
1) Prost (Renault) - 1:24.840
2) Arnoux (Ferrari) - 1:25.182
3) Cheever (Renault) - 1:26.279
4) Tambay (Ferrari) - 1:26.298
5) Rosberg (Williams) - 1:26.307
6) Piquet (Brabham) - 1:27.273
7) De Cesaris (Alfa Romeo) - 1:27.680
8) Laffite (Williams) - 1:27.726
9) Jarier (Ligier) - 1:27.906
10) Warwick (Toleman) - 1:28.017

O dia 15 de maio de 1983 amanheceu chuvoso em Monte Carlo, seguindo o clima ruim de sábado, mas a chuva era bem mais amena do que no dia anterior e havia expectativa de instabilidade na hora da corrida. Os carros saíram para a volta de instalação com pista seca, mas uma chuva leve caiu novamente sobre o principado, deixando pilotos e engenheiros com um abacaxi na mão: com que pneus largar? Tendo nascido na região, Tambay indicou que a chuva seria passageira, mas a Ferrari decidiu largar com pneus de chuva, assim como Renault e Brabham. Keke Rosberg, no seu turno, insiste que a chuva seria rápida e convence Frank Williams a colocar pneus slicks em carro, o mesmo fazendo Laffite, Alboreto, Sullivan, Winkelhock, De Angelis e Warwick. Na luz verde, Prost larga bem, enquanto Arnoux patina bastante, mas o dono da melhor largada era Rosberg, que pulou da quinta para a segunda posição na freada da St. Devote como um raio! 

A aposta de Rosberg havia sido acertada. Muito mais rápido do que Prost, o finlandês assume a primeira posição ainda na primeira volta, enquanto Cheever já vinha longe em terceiro. Arnoux se recupera de sua má largada e ultrapassa De Cesaris e Tambay para ser terceiro, enquanto Alboreto e Mansell batem na Piscina. Apesar de algumas gotas ainda caírem em Monte Carlo, a pista estava claramente seca e Rosberg abre 5s em três voltas em cima de Prost, num ritmo bem superior ao do francês. Ainda na quarta volta Piquet tenta consertar o erro dele e da equipe e vai aos boxes colocar pneus slicks, enquanto Laffite usa seus pneus adequados para ultrapassar Tambay e Cheever, que havia sido ultrapassado na volta anterior por Arnoux. Rapidamente Laffite encosta em Arnoux e os dois se tocam na Portier. Arnoux acaba batendo no guard-rail, quebrando sua roda traseira esquerda, fazendo-o abandonar. Com a pista seca e sem chuva, os pilotos começam uma procissão rumo aos pits para colocar pneus slicks. Com isso, a Williams tinha uma tranquila dobradinha com Rosberg muito na frente de Laffite, enquanto Surer e Warwick vinham nas posições a seguir, mas quase um minuto atrás da Williams líder. Prost era o próximo e Piquet, sendo um dos primeiros a trocar de pneus, ganhou muito terreno com a troca dos demais pilotos e estava logo atrás de Prost. 

Após toda a ação inicial, a corrida se assenta. Enquanto a dupla da Williams dominava na frente por causa da aposta certeira de Rosberg, Prost tentava recuperar-se do prejuízo e encostava em Warwick na briga pela quarta posição, trazendo consigo Piquet. Mesmo com um carro superior à Toleman de Warwick, Prost sofria com o acerto de chuva e seu Renault estava claramente desequilibrado. Na volta 22 Piquet efetua uma audaciosa ultrapassagem em cima de Prost dentro do túnel e partia para cima do seu antigo rival na F3 Warwick, na mesma medida em que Cheever colava em Prost, que também tinha problemas no câmbio. O americano ultrapassa Prost na reta dos boxes na volta 28, mas a alegria de Cheever só duraria três voltas, tempo em que um problema elétrico desligou seu motor e o fez abandonar. Pressionado por Piquet, Warwick aumentava o ritmo e encostava no terceiro colocado Marc Surer, de Arrows. Mesmo com o carro cheio de problemas, Prost perseguia Piquet de perto. Não demorou e Surer via Warwick em seus retrovisores, que por sua vez via seus espelhos retrovisores recheados pela Brabham de Piquet, que era perseguido por Prost. Se Piquet e Prost brigavam constantemente por vitórias e pódios, Marc Surer e Derek Warwick apostaram certo e estavam em posições bem acima do potencial dos seus carros. Os dois eram bons pilotos e queriam agarrar aquela oportunidade com unhas e dentes. Porém, Warwick não teve a paciência necessária e o sonho da dupla terminaria na volta 50. Na freada da St. Devote, Warwick tentou achar uma brecha inexistente entre a Arrows de Surer e o guard-rail e os dois se tocam. Surer bate muito forte, mas sai do carro ileso, enquanto Warwick ainda voltou à pista, mas com a suspensão quebrada, abandonou logo em seguida.

Miraculosamente, Piquet e Prost não sofreram um único arranhão do acidente na frente deles. Laffite era ligeiramente mais rápido do que Keke Rosberg e já tinha diminuído sua desvantagem de 28 para 18s, mas na volta 55 ele entrou nos boxes em ritmo lento. Ele perdera a terceira marcha e logo em seguida o câmbio quebrou. Fim de linha para Laffite e o sonho de dobradinha da Williams. Rosberg ainda tinha um minuto de vantagem sobre Piquet, mas seu motor reteava em alguns momentos e suas mãos estavam cheias de bolhas. Tambay ultrapassa Patrese pela quarta posição, mas o italiano logo abandonaria com problemas de motor. Numa corrida com muitos abandonos, apenas sete pilotos percorriam o circuito nas voltas finais. Piquet marcou a volta mais rápida da corrida e chegou a ser 3s mais veloz do que Keke, mas o finlandês não tinha com o que se preocupar. De forma brilhante, Rosberg venceu pela segunda vez na F1 e mostrava que merecia a alcunha de campeão mundial. Piquet e Prost não adotaram a estratégia certa na corrida, mas ainda terminaram no pódio e Tambay termina com o quarto lugar. Sullivan terminou em quinto e marcou seus dois primeiros pontos na F1 e Baldi fechou a zona de pontuação com a Alfa. Para quem desconfiava do talento de Keke Rosberg e que seu título foi conquistado de forma fortuita no ano anterior, o finlandês deu uma bela resposta em Mônaco.

Chegada:
1) Rosberg
2) Piquet
3) Prost
4) Tambay
5) Sullivan
6) Baldi

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Figura(ESP): Lewis Hamilton

Quando subiu ao pódio atrasado em Baku, quinze dias atrás, Lewis Hamilton esperou para abraçar Valtteri Bottas, na opinião do inglês, o real merecedor da vitória no Azerbaijão, mas que havia abandonado no finalzinho da corrida. Hamilton parecia incomodado no alto do pódio azeri. Ao contrário da grande maioria de suas vitórias, Hamilton não foi o melhor piloto do dia e isso mexeu com os brios de Lewis, mas esse incômodo acabou em Barcelona. Tradicional sede das grandes novidades de pacotes aerodinâmicos, Barcelona viu uma Mercedes forte como nos tempos em que os alemães eram muito superiores aos rivais no triênio 2014-15-16 e Hamilton viu isso a oportunidade genuína para mostrar sua força. O inglês foi sempre rápido em todos os treinos livres e na classificação, conseguiu a pole com uma bela volta no final do Q3. Porém, os pontos são conquistados no domingo e Hamilton mostrou a todos quem é o grande piloto da atual geração. O inglês da Mercedes conseguiu uma bola largada e a partir de então imprimiu um ritmo avassalador, chegando a ser praticamente 1s mais rápido do que Vettel. Quando a Mercedes precisou mudar a estratégia de duas para uma parada, Hamilton lidou muito bem essa situação e praticamente não foi ameaçado nas 66 voltas da prova. Foi uma vitória enfática sobre os rivais diretos pelo título, meio que mostrando que o bom e velho Lewis Hamilton estava de volta. Só não precisava aquele cabelinho...